sábado, 29 de dezembro de 2012

A Vida



A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, passaram sessenta anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mário Quintana






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O tempo não ajudou



Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu. Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. Tomara.
Ana Jácomo



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ainda sem inspiração


Essência
Há vários mundos
No mundo de cada um,
Visíveis
Variados
Escondidos em nenhum
Há vários passos
Nos passos de cada um,
Ligeiros
Lentos
Inseguros
Usados no fugidio
Caminho,
Na escapulida da vida
Para não se mostrar
Há várias palavras
Nas palavras de cada um,
As que se ouve
Bem claras,
As camufladas
Pintadas
Para enganar
Mas uma só alma existe
No corpo de cada um,
Que mal se sente,
À frente, desses desmandos,
Que tudo vê, na essência
E sem descanso,
E que não gosta de mantos
Marilene Duarte