Sabe acaso
alguém o que é certo ou justo? Quantas coisas, que temos por belas, não são
mais que o uso da época, a ficção do lugar e da hora? Quantas coisas, que temos
por nossas, não são mais que aquilo de que somos perfeitos espelhos, ou
envólucros transparentes, alheios no sangue à raça da sua natureza!
Bernardo
Soares, heterônimo de Fernando Pessoa































































