viver sem
pressa
De olho em Canela
Meu olhar
domingo, 9 de agosto de 2026
sábado, 8 de agosto de 2026
momento Alvaro Campos
O
que há em mim é sobretudo cansaço —
Não
disto nem daquilo,
Nem
sequer de tudo ou de nada:
Cansaço
assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A
subtileza das sensações inúteis,
As
paixões violentas por coisa nenhuma,
Os
amores intensos por o suposto em alguém,
Essas
coisas todas —
Essas
e o que falta nelas eternamente —;
Tudo
isso faz um cansaço,
Este
cansaço,
Cansaço.
Há
sem dúvida quem ame o infinito,
Há
sem dúvida quem deseje o impossível,
Há
sem dúvida quem não queira nada —
Três
tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque
eu amo infinitamente o finito,
Porque
eu desejo impossivelmente o possível,
Porque
quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou
até se não puder ser...
E
o resultado?
Para
eles a vida vivida ou sonhada,
Para
eles o sonho sonhado ou vivido,
Para
eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para
mim só um grande, um profundo,
E,
ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um
supremíssimo cansaço,
Íssimo,
íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro
Campos, heteronimo de Fernando Pessoa
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Assinar:
Postagens (Atom)






















































































