sexta-feira, 15 de junho de 2012

Desanimada

Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas:
com lembranças amadas,
porém desesperadas.
Morro cheia de assombro
por não sentir em mim
nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.
Cecília Meireles























quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sono... e uma quinta quente

Contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo
é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor
Úrsula Avner



























quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fruindo o dia

Fruindo
naqueles dias precisei desaprender quase tudo
o céu era velho
a voz era gasta
e eram feitos de véspera os tons tardios do meu sol
[quis renascer]
fechei os olhos
respirei lentamente e
[pela fresta dos lábios
foi como se o céu entrasse
eu quis aquela luz
inteira
em mim
Mai